Pra quem não é assinante do O Popular, pode ler a entrevista com Henrique Meirelles, feita pela jornalista Fabiana Pulcineli, aqui:
“Eu não sou um político de carreira”
Fabiana Pulcineli, do O Popular
“Há muitos anos não sai foto minha em jornal sem eu estar de terno”, brincou o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles (PMDB). Sem pressa, à vontade e demonstrando tranquilidade, o peemedebista recebeu O POPULAR em seu apartamento no sábado para falar sobre sua decisão de permanecer no BC. Depois de desistir da política em Goiás pela terceira vez, ele disse que a população “é mais sábia do que parece” e sabe entender que suas decisões beneficiam o Estado. Veja os principais trechos da entrevista, que durou meia hora.
Por que a permanência no Banco Central foi uma decisão tão difícil e demorada?
É uma decisão muito importante. Pesava de um lado a alternativa de candidatura ao Senado, que é algo a que dou importância muito grande, não só pelas minhas relações com Goiás, meu histórico e a minha vontade de poder colaborar com o Estado e com o Brasil no Legislativo. Por outro lado, a minha posição no Banco Central. O presidente Lula fez um apelo para eu ficar considerando-se que é ano eleitoral, existem ainda incertezas na área econômica e seria muito importante concluir este mandato com a economia em ordem, crescendo, estabilizada. Isso é importante para o Brasil, para o governo, para o meu legado e é para Goiás também, afinal o que acontece na economia brasileira tem reflexos na economia de Goiás.
O senhor tinha mesmo interesse na candidatura ao Senado? O cargo legislativo o atrai ou o interesse maior era ao governo quando se filiou?
Meu interesse original em relação a Goiás era o governo. Mas pela evolução da economia e minhas responsabilidades no Banco Central, não poderia tomar uma decisão a tempo de organizar e estruturar uma candidatura ao governo e descartei essa possibilidade (em fevereiro). Tinha o Senado como alternativa eleitoral, que tem outras características que também são muito importantes. Não só porque eu posso ajudar o Estado, mas também participar do debate nacional. O governo atenderia a minha característica primária, de ser um executivo. Eu sou um gestor, menos do que um legislador. Mas o Senado oferece a característica de participar do debate nacional.
Quando o ex-prefeito Iris Rezende recuou da candidatura ao governo e enviou interlocutores para dizer que o partido o apoiaria, o sr. não reconsiderou a possibilidade de ser candidato ao governo?
Naquele momento, estava num processo já muito avançado de discussão sobre a minha permanência no Banco Central. Era talvez um pouco tarde para recuar imediatamente e estruturar uma candidatura ao governo de Goiás. Naquele momento, já estava se configurando uma polarização entre Iris Rezende e Marconi Perillo de um lado, e o surgimento da candidatura de Vanderlan Cardoso do outro. Achei que essa conjugação, esse quadro, fazia com que fosse um pouco tarde para reconsiderar essa hipótese. A minha permanência no Banco Central àquela altura começava a ser o mais provável e talvez necessário. E havia uma inserção minha no debate nacional, que fez com que o Senado passasse a ser uma alternativa mais viável. Então, no momento em que tomei a decisão de não me candidatar a governador em fevereiro, esse assunto ficou descartado e comecei a trabalhar outras alternativas.
Inclusive com a questão da vice da Dilma Rousseff?
Eu me filiei ao PMDB de Goiás tendo em vista a hipótese de candidatura em Goiás. Naquele momento, surgiu na visão de muitas pessoas e começou a se desenvolver a hipótese de que eu pudesse ser candidato a vice-presidente. E esse movimento começou a ganhar dimensões nacionais. E mais e mais líderes políticos, empresariais, comunitários, começaram a falar, advogar, defender essa hipótese e isso ganhou corpo de fato na sociedade. Eu concluí, no entanto, que já existia a pré-definição do PMDB de que um dos seus quadros tradicionais deveria ser o candidato a vice. O partido já tinha caminhado nessa definição. Mesmo que setores relevantes da sociedade julgassem ou julguem que meu nome seria mais adequado, concluí que isso não se colocava na medida em que o PMDB já tinha, em termos práticos, definido o nome (o do deputado federal Michel Temer, presidente do partido).
Acha que faltou espaço no PMDB nacional e no estadual pelo fato de ser novo no partido? Tem essa frustração por não ter conseguido respaldo?
Não. São duas coisas diferentes. O PMDB de Goiás me abriu todas as portas. Quando me filiei, o partido me ofereceu a candidatura a governador ou a senador. Eu, no entanto, avisei, desde o primeiro dia, que apenas poderia me definir no final de março, como aconteceu de fato. O partido me apresentou, já em dezembro, a preocupação de que seria importante definir um nome para governador o mais rápido possível. Concluí, com a evolução da economia brasileira e com algumas decisões muito importantes ainda a serem tomadas, que não era viável tomar uma decisão naquele momento. Voluntariamente, tomei a decisão de liberar o partido e me dedicar à alternativa do Senado. A porta ficou sempre aberta para o Senado. Em relação à questão nacional, o partido me recebeu muito bem, com todas as honrarias e deferência. Agora, o partido já tinha escolhido quem poderia vir a ser o candidato a vice, era um processo já finalizado, construído durante muito tempo. Era um fato consumado. Não havia mais o que rediscutir. É um partido grande, complexo, com diversas correntes, e o partido tinha trabalhado durante muito tempo para conseguir uma unidade. Essa unidade foi simbolizada pela escolha de um nome para disputar a vice na chapa da Dilma. Portanto, parece-me absolutamente razoável que isso já esteja definido. Não posso entender isso como falta de espaço. O partido me oferece todo espaço possível. Me ofereceu candidatura ao Senado, me oferece espaço em um governo de que o partido venha a participar no futuro, em condição prioritária, caso seja do meu interesse.
A jornalista Miriam Leitão publicou artigo em que o sr. diz que não se vê daqui a quatro anos disputando eleição. Isso é fato? O sr. descarta uma candidatura em 2014?
Não, não descarto. Não é uma decisão. É meramente uma avaliação preliminar. Eu olho à frente e acho que não é a hipótese mais provável, hoje. Mas é mera avaliação, pela evolução do quadro político. Agora, sou um homem que escolheu a carreira de servir ao País, de fazer parte do serviço público e tudo é possível.
O sr. falou também na entrevista coletiva que nunca teve ambição política. O que significa essa expressão? Por que se filiou então ao PMDB?
São duas coisas diferentes. A filiação para assegurar um direito político não quer dizer ambição política. É interessante como isso é difícil de ser entendido, especialmente no Brasil. Em outros países, talvez seja mais fácil. A falta de ambição política significa que em nenhum momento hesitei ou hesito em não disputar uma eleição – ou mesmo, como em 2002, a renunciar ao mandato – para servir ao País. Isto é, eu não sou um político de carreira, para quem um cargo eletivo é algo que tenha de ser perseguido a qualquer momento. É uma alternativa. 2002 foi exemplo concreto. Fui eleito deputado federal, convidado pelo presidente Lula a ir para o BC, achei que podia servir melhor ao País e renunciei ao mandato com a maior tranquilidade. Isso eu chamo de falta de ambição política. Não quer dizer que não possa contemplar um mandato eleitoral. Posso, perfeitamente. Mas não vou perseguir um mandato. Agora, por exemplo, considerei a hipótese (de candidatura) com todo respeito e deferência. No momento em que achei que era mais importante para o País ficar no BC, fiquei.
Houve muita expectativa tanto em 2005 (quando anunciou que não se filiaria para concorrer às eleições de 2006) como agora por sua candidatura. Acha que ficam desgastes para o sr. em Goiás, especialmente no meio político?
Em 2002, quando aceitei a presidência do Banco Central e renunciei ao mandato, pareceu, num primeiro momento, principalmente na classe política, que teria havido um grande desgaste. Parecia que eu tinha optado por não servir o povo de Goiás. A mesma coisa em 2005. Ficou claro, com o crescimento econômico de Goiás nesse período, com as vantagens que Goiás teve com a minha administração no BC, com o que se criou de emprego, indústria, capacidade de crescimento do Estado, tudo isso fez com que os goianos entendessem que tinha sido uma boa opção. E isso fez com que inclusive agora meu nome estivesse de novo sendo demandado, solicitado pela classe política, pela população, a pleitear um mandato. Acredito que a população é mais sábia do que parece. A população tem uma visão muito clara de onde está seu interesse imediato. Ela sabe julgar quem está tomando uma decisão para servir a esta população, a este Estado. Acho que a população fez este julgamento e agora mais uma vez. Ela certamente sabe apreciar. Se essa minha decisão se revelar correta novamente e o Brasil continuar crescendo, Goiás continuar crescendo, certamente isso será reconhecido pela população.
Qual será seu comportamento na campanha? Terá alguma participação em Goiás ou em nível nacional?
A minha posição no Banco Central não me permite ter participação em campanha eleitoral. Não tive participação na campanha de 2006, inclusive com o presidente Lula sendo candidato à reeleição. Eu não participei de nenhum comício, de nenhuma inserção de televisão, sendo ministro dele.
Então não estará no palanque de Iris Rezende?
Não, não terei participação em campanha.
O sr. fez compromisso com Iris de disputar o Senado? No mesmo dia em que o sr. anunciou que ficaria no BC, o ex-prefeito, pela manhã, dava como certa a sua saída, disse que acreditava muito que seria candidato ao Senado e fortaleceria a chapa do PMDB.
Acho que você disse bem. Ele acreditava muito. Acreditava muito que seria uma boa opção para a chapa do PMDB e para mim. Ele me ligou de fato na véspera e desenvolveu uma argumentação muito persuasiva no sentido de que eu deveria ser candidato ao Senado. Ele estava muito convencido disso, de fato. Eu disse que o presidente Lula havia me pedido mais 24 horas e que, dentro deste prazo, tomaria a decisão. Não houve nenhum compromisso. Agora, não há dúvida de que ele acreditava muito na hipótese e acreditava firmemente que seria a melhor opção para Goiás e para mim. Respeito muito a opinião dele e levei isso em conta também na minha decisão.
Ficou alguma mágoa em relação a Iris?
Não, não ficou mágoa.
Fala-se muito que o sr. teria ficado insatisfeito com a pressão para que se posicionasse em relação à disputa pelo governo e também que o sr. desistiu de disputar o Senado até como retaliação pela postura do prefeito.
Essa é uma decisão muito importante para ser tomada por um motivo tão pueril como uma retaliação. Foi uma decisão de deixar de me candidatar ao Senado Federal para permanecer no Banco Central do Brasil. É uma decisão muito importante para a Nação para que possa ser influenciada por fatores emocionais. Principalmente eu, que sou um homem que tem por característica ser bastante racional em suas decisões, bastante maduro, bastante equilibrado. Não há nenhum componente emocional. Foi uma decisão do que considerei ser o melhor para o País e para a preservação do meu legado na construção da estabilidade monetária e financeira do Brasil.
Saindo da parte política, como acha que tem de ser resolvida a crise da Grécia, que atinge a Europa, que tem moeda única? As medidas tomadas até aqui são tranquilizadoras ou o problema ainda está longe de acabar?
Eu acho que o problema ainda está longe de acabar. A situação fiscal da Grécia e de outros países do Mediterrâneo é muito séria. Vai exigir um sacrifício enorme da população, um ajuste fiscal muito sério. E há algumas características importantes, como o fato de que esses países não podem desvalorizar a moeda, que normalmente é algo que ajuda num momento de crise. O Brasil, por exemplo, teve desvalorização forte da moeda em 2002 e isso ajudou a sair da crise porque gerou saldos comerciais, de conta corrente. Isso gera queda de poder de compra da população e ajuda na recuperação. Na Grécia e em outros países europeus isso não pode acontecer. Então, a única solução é uma forma de queda do salário nominal da população e de ajuste fiscal rigoroso. Isso é muito penoso. E demora.
Até que ponto a crise pode atingir a economia brasileira?
Um problema, uma crise, não é bom para ninguém. Mas a dimensão do problema europeu é menor do que do problema americano e europeu em 2008. Não há risco de quebra de grandes bancos europeus em função da Grécia. E, segundo, não há incerteza em relação a quais bancos estão envolvidos. Então aquele clima de paralisação do mercado de crédito que ocorreu em 2008 não deve acontecer agora.
O cenário aponta mesmo para a necessidade de aumento da taxa básica de juros por conta da alta da inflação?
Não falamos especificamente sobre o que o Banco Central vai fazer. Nós sinalizamos cenários. O que chamamos atenção é que, quando o Banco Central faz uma projeção de inflação com a Selic constante, a inflação fica acima da média. Quando faz projeção com as hipóteses de aumento da Selic que são previstas pelo mercado, a inflação fica abaixo da média. A partir daí, as pessoas cheguem às suas conclusões. Não nos comprometemos e nem pré-anunciamos nenhuma decisão.
O que acha das críticas de agentes econômicos de que o BC está atrasado na decisão de aumentar a taxa Selic, que isso já deveria ter sido feito?
As projeções de inflação, já publicadas pelo próprio Banco Central, indicam que o Banco Central está absolutamente na hora certa.
Por fim, e seu futuro? O que planeja fazer?
Em primeiro lugar, concluir meu mandato no Banco Central, contribuir para a consolidação da estabilidade da economia e, a partir daí, participar do debate nacional visando assegurar que a estabilidade seja um valor nacional.
Acha possível ocupar um cargo no governo federal se o ex-governador José Serra for eleito presidente?
Não, eu não acredito que o ex-governador José Serra e eu possamos chegar a este tipo de entendimento, porque, afinal de contas, sou ministro há oito anos do governo Lula. Por outro lado, existem alternativas diversas em que eu possa inclusive encontrar formas de participar do debate nacional e também poder ajudar Goiás de forma mais direta, seja no setor público ou privado.
Como seria essa ajuda?
Diversas maneiras. Não só no setor privado, organizando projetos que possam vir para Goiás, que possam trazer emprego, crescimento e capital para o Estado. Tenho inserção internacional hoje em função do sucesso da economia brasileira, do Banco Central. Estou recebendo prêmios do mundo inteiro. Hoje os investidores do mundo todo me convidam para participar de palestras, conversas, para ouvir as minhas opiniões sobre onde e como investir no Brasil. Hoje, não tenho tempo para atender isso. Acredito que posso colaborar muito com Goiás levando o nome do Estado ao exterior, trazendo investimentos, tendo foco especial para ajudar o Estado a crescer, criar emprego. Acredito que posso desempenhar um papel fundamental.
“Meu interesse original em Goiás era o governo. Mas pela evolução da economia e minhas responsabilidades no Banco Central, não poderia tomar uma decisão a tempo de organizar e estruturar minha candidatura ao governo e descartei essa possibilidade.”
UMA PENA QUE MEIRELLES NÃO SE CANDIDATARÁ EM 2010. QUERÍAMOS MUITO UMA DOBRADINHA COM MEIRELLES E IRIS!!!!!!!!!!!
Publicado por FABIANA MORGADO | 26 abril, 2010, 7:09 pmPara os jovens que não tiveram a oportuninidade de conhecer e o privilêgio de conviver, assistam um resumo de uma bela história:
UM SÓ PARTIDO… UMA VIDA… UMA HISTÓRIA DE TRABALHO, DE LUTA E PERSEVERANÇA…
O AMOR PELO SEU POVO… UM IDEAL…
Publicado por Karla Moreno | 30 julho, 2010, 7:21 pmInformação e Cultura:
UM MEMORIAL… O SONHO… UM IDEAL… OS VALENTES…
Para os JOVENS que não tiveram a oportunidade de conhecer e o privilégio de conviver, assistam um resumo de uma bela história:
A VERDADE… UM PARTIDO… A FIDELIDADE PARTIDÁRIA…
UMA VIDA… UMA HISTÓRIA DE TRABALHO, DE LUTA E PERSEVERANÇA…
O AMOR PELA SUA TERRA E SEU POVO… UM IDEAL…
Nessa História, só tem lugar para os Valentes… Os covardes abandonam o partido e a luta… Os covardes se vestem de AVES de rapina e saem voando a procura de uma presa inocente… Os covardes querem apagar a história… PATRIMÔNIO GOIANO… UM LÍDER… VÁRIOS COMPANHEIROS… UM POVO… UM ESTADO… UMA NAÇÃO… Um resumo:
http://www.iris15.com.br
Publicado por karla Moreno | 1 agosto, 2010, 6:19 pm