O presidente do STF, Gilmar Mendes, concedeu um entrevista coletiva sobre a viagem à reserva Raposa Serra do Sol, em Roraima. Dentre várias perguntas, uma me chamou a atenção:
Sobre a situação da desembargadora Beatriz Figueiredo Franco, do Estado de Goiás, que, conforme processo do MP, ela teria, numa gravação, pedido opinião ao ex-governador de Goiás, Marconi Perillo, sobre um processo que entraria em julgamento no dia seguinte, e o governador deu a opinião e, na mesma semana, ela passou a integrar o TRE (Tribunal Regional Eleitoral de Goiás) Eu gostaria de saber se o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) vai abrir um processo para investigar a desembargadora.
Resposta de Gilmar Mendes: O caso da desembargadora eu conheço tão somente de leitura de jornal. Não sei se já chegou alguma representação ao CNJ. Vou verificar. E, certamente, se houver dados quanto a irregularidades, o Conselho vai proceder como tem procedido em todos os casos, poderá abrir processo administrativo cabível. Mas eu não tenho informações neste momento sobre o assunto.
Arquivado em: Noticias, Política | Etiquetado: Beatriz Figueiredo, CNJ, gilmar mendes, Marconi Perillo, stf
Nunca existiu no estado de Goiás, nehum político com tanta infuência, tanto na mídia local quanto em qualquer área jurídica do estado, como Marconi Perillo. Esse sim manda e desmanda! Muitos e muitos ecândalos foram escondidos, engavetados,e até arquivados muitas vezes sem o julgamento de mérito. Um desses engavetamentos ou arquivamentos, foi o caso: “CELG/UNI-RIO”, arquivado por “Ivana Farina” do Ministério Público Estadual (MPE)… essa inclusive, foi colocada lá no MPE estratégicamente por indicação do então governador Marconi.
Nunca a imprensa goiana lucrou tanto como nesse período (1999 a 2006). Foram milhóes e milhões de reais gastos com publicidades. À PESO DE OURO, a imprensa goiana foi alimentada para denegrir a ima gem dos adversarios políticos, e ao mesmo tempo, enaltecer, elogiar, endeusar e engrandecer a imagem deste coronel Marconi Perigo!
Quem não se lembra das propagandas da CELG? Em qualquer canal de TV e rádio, em qualquer horário do dia ou da noite, em todo intervalo, tinha uma propaganda da CELG! Cotas milionárias de publicidade. Pra que tanto dinheiro jogado fora, se somos obrigados a consumir energia somente da CELG?! não existe concorrência! Isso sim foi uma péssima administração Pública.
Atualmente, descobriu-se, que a dívida ou endividamento, contraído no governo MARCONI, é maior que toda dívida que o estado coseguiu contraír em mais de 200 anos de existência. Todavia, o atual Governo (Alcides), não permite tal divulgação, e, tampouco cosegue governar ou até cumprir 5% de suas promessas de campaha, pois, tamanho é o endividamento do estado!!!
Marconi Perigo, é um dos piores coronéis da política dos últimos tempos. Sua influência ($) em todas as esferas do estado de Goiás, é algo muito preocupante!
As gravações começaram a ser feitas em 2006, na operação Voto, da Polícia Federal, que investigava crimes eleitorais. O alvo inicial não era Marconi Perillo, mas algumas conversas interceptadas levaram os investigadores à conclusão de que havia um esquema de captação ilícita de recursos, uso de notas frias e laranjas, caixa dois e outras ações que configuram fraude eleitoral na campanha de 2006. As interceptações revelam claramente os esforços dos funcionários do então candidato ao Senado na ocultação de provas que poderiam incriminá-lo e a Alcides Rodrigues, o que levou a polícia a investigar mais detalhadamente o caso, obtendo autorização para grampear o celular de Marconi Perillo.
Com as novas acusações, apesar das incontestáveis evidências apresentadas nas conversas gravadas, a comprovação do peso da influência de Marconi Perillo sobre as decisões da desembargadora pode ser confirmada através de outras sentenças que causam estranheza no meio jurídico, em razão dos duvidosos critérios utilizados para norteá-las:
Favorecimento a municípios
A conversa interceptada pela Polícia Federal diz respeito à destinação do fundo de participação dos municípios, com favorecimento ao prefeito José Gomes de Itumbiara, cujos repasses extras ultrapassam R$ 30 milhões, com sérios prejuízos aos demais municípios. Em 2002, Itumbiara requereu um suposto valor residual da transferência de cotas do ICM para o município. Diante da anuência do governo, que começou a efetuar transferências mensais de milhões de reais para Itumbiara, outros prefeitos se indignaram e pediram suspensão dos pagamentos na justiça. Na ocasião do julgamento, José Gomes era membro do PMDB e estava sendo cortejado por Marconi Perillo para compor sua base aliada. Hoje, José Gomes está filiado ao PP de Alcides Rodrigues. Outros municípios pleitearam o mesmo recurso, cujas aprovações se transformaram numa valiosa moeda de troca por apoio político no Estado, com denúncias de corrupção e benefício indevido a advogados que conseguem aprovação do recurso. O advogado Thiago Vinicius Vieira Miranda, que representou os municípios de Goianésia, Luziânia e Minaçu em caso similar, vê na denúncia atual uma confirmação de suas suspeitas: “Tinha certeza que acontecia e agora temos a prova. Como é que você acha que o Zé Gomes conseguiu dinheiro para bancar um time de futebol que custou quase R$ 5 milhões para ser campeão goiano?”, questiona o tributarista.
Desembargadora restitui cargo a prefeito acusado de corrupção
Em fevereiro de 2006, uma operação da Polícia Federal organizou um flagrante na chácara do prefeito de Águas Lindas, José Pereira Soares, onde foram encontradas diversas máquinas da Prefeitura e 100 mil reais em dinheiro. O município, emancipado de Santo Antônio do Descoberto, faz limite com o Distrito Federal e possui um dos menores índices de desenvolvimento do Centro Oeste, sem água tratada, esgoto ou hospital. Antes que a operação terminasse, o prefeito já estava em Goiânia, almoçando com o então governador Marconi Perillo, deixando um funcionário da prefeitura encarregado de acompanhar a batida policial em sua propriedade. Coincidentemente, foi a desembargadora Beatriz Figueiredo Franco quem garantiu o mandato de mais este aliado político do ex-governador, negando recurso do Ministério público que contestou a decisão do Tribunal de Justiça de Goiás reconduzindo-o ao cargo 48 horas após ser decretado seu afastamento, em dezembro de 2005, por uma acusação de desvio de R$ 3 milhões de recursos prioritários para o município, como a merenda escolar.
O prefeito José Pereira Soares conseguiu amealhar 11 inquéritos civis públicos e cinco ações por improbidade administrativa em menos de um ano de mandato. Apenas em um contrato, onde foram usadas notas fiscais frias, o desvio foi de meio milhão de reais. A desembargadora, na ocasião, justificou sua decisão com o argumento de que o tempo que ele permaneceria afastado do cargo não poderia ser restituído, caso ficasse comprovada sua inocência nas diversas acusações.
Graças aos companheiros que angariou em suas lides políticas, José Pereira pleiteia o direito de candidatar-se à reeleição, enquanto o jornal Correio Brasiliense alerta para o rápido enriquecimento do prefeito, descrevendo a chácara onde reside como um oásis em meio à miséria: “A propriedade rosa a perder de vista, uma criação de avestruz, a piscina, o salão de festas, de jogos, três dezenas de manilhas no quintal de casa são apenas alguns dos indícios de que nos últimos tempos a vida melhorou para o prefeito do município. Antes de tornar-se o comandante do Executivo, os vizinhos de Pereira atestam que ele levava uma vida modesta. Morava na mesma propriedade, mas em uma casa sem reboco, cujo acesso se dava por uma estrada de terra. Hoje, qualquer uma das quatro pistas que beiram a mansão estão asfaltadas.”
Como funcionam as decisões no TRE de Goiás
Uma decisão que causou espanto no meio jurídico foi a extinção de um processo sem julgamento do mérito por parte da desembargadora Beatriz Figueiredo Franco. O caso diz respeito à mudança de partido de um vereador de Sanclerlândia (GO) que, depois de eleito, decidiu deixar o DEM e filiar-se ao PSDB, partido de Marconi Perillo, sem motivo aparente. Com a atual definição emitida pelo STF de que o cargo pertence ao partido, o DEM protocolou o pedido da vaga na câmara, ocupada pelo vereador. A extinção do processo foi decretada no começo deste ano, depois de várias sentenças, amplamente divulgadas de perdas de mandatos pelo mesmo motivo. A decisão foi justificada pela desembargadora com o argumento de que os diretórios não possuem legitimidade para requerer perda de mandato, garantindo permanência do vereador na função, agora nos quadros do PSDB. No entanto, o DEM recorreu ao TSE contra a decisão, que reafirmou a atribuição do TRE e a desembargadora retrocedeu, reconhecendo a legitimidade do pedido formulado pelo DEM e abrindo consulta ao vereador e ao PSDB.
Relações entre magistrados e executivo
A desembargadora Beatriz Figueiredo julgou um caso envolvendo o ex-presidente do Tribunal de Justiça Charife Oscar Abrão. Em 2004, ainda na presidência e gestão dos recursos do Tribunal, o desembargador Charife Abrão aplicou mais de R$ 77 milhões do Fundo Especial de reaparelhamento e Modernização do Poder Judiciário no Banco Santos, que foi liquidado pelo Banco Central logo em seguida. O Banco não constava da lista de instituições aptas a receber a aplicação de tais recursos, levando o Ministério Público a propor ação de improbidade administrativa com bloqueio de bens e quebra do sigilo fiscal do desembargador. Um recurso julgado pela desembargadora Beatriz Figueiredo liberou os bens e restringiu a quebra do sigilo apenas aos dados fornecidos pela Receita Federal do imposto de renda referente a 2004.
Sem desconsiderar a possibilidade de tratar-se de mera coincidência ou obras do acaso, o fato é que, segundo o Ministério Público, um recurso semelhante em favor de José Paulo Loureiro, ex-presidente da CELG e braço-direito de Marconi Perillo enquanto governador do Estado, foi julgado pelo Desembargador Charife Abrão, que decidiu pela liberação dos bens do requerente com tal celeridade que o despacho chegou a ser feito num domingo, quando não havia expediente nem plantão no Tribunal de Justiça.
São muitos os acontecimentos insólitos envolvendo o judiciário em Goiás. Ainda de acordo com a afirmação de promotores, sem que tenha havido provocação das partes, o juiz Otanei Francisco Campos determinou o trancamento da investigação do caso CELG pelo Ministério Público; em outra ocasião, a juíza eleitoral Elizabeth Maria da Silva determinou a apreensão do jornal O Estado de Goiás que publicou matéria desfavorável a Marconi Perillo e centenas de denúncias são bloqueadas pelo judiciário num Estado onde a corrupção e o enriquecimento de políticos é claro e notório. O judiciário em Goiás, vem se especializando em servir de parede às ações do Ministério Público no combate à corrupção e ao crime político. Do outro lado, temos em Goiás uma equipe de promotores, no Ministério Público, comprometida com o combate à corrupção como raramente se encontra no Brasil, mas o quadro apresentado por um dos promotores, o Dr. Fernando Krebs, retrata as circunstâncias que mantém o Estado como aquele que reúne a maior dívida entre todos os Estados brasileiros: “Temos um Judiciário que, quando muito, resolve conflitos particulares, privados, mas quando entra o particular e o Poder Público, ou o Ministério Público em defesa da sociedade e do outro lado o governante, o poder Judiciário acaba se retraindo, se acovardando, se omitindo, deixando de cumprir sua obrigação e seu dever, sob os mais variados argumentos doutrinários jurisprudenciais. Acaba desta maneira, estimulando a ilegalidade, o abuso de poder e até mesmo o crime. O que a gente vê é muita corrupção no Poder Público, poucos agentes públicos são presos e, quando são, logo são postos em liberdade. Há muitos juízes e desembargadores sendo investigados em Goiás, mas todas as ações passam pelo judiciário, e acabam emperrando por aí”, conclui o promotor.
EXISTE UM BOATO QUE O MPF QUER ARQUIVAR OS PROCESSOS QUE CLARAMENTE INCRIMINAM MARCONI PERILLO! SERÁ O QUE ROLAM POR TRÁS DOS BASTIDORES? MUITA SUSPEIÇÃO JÁ EXISTE FORTEMENTE!
A PREFEITURA DE MINAÇU, GOIAS, uma das mais envolvidas em atos de corrupção, faz – em seu Portal – propaganda da falida cidade e de seus 02 LAGOS.
incentiva os TURISTAS a ” virem ” para a região, a fim de se deleitarem nas águas de nossos LAGOS , que deram um calote ( as 02 empresas – FURNAS E CEM/TRACTEBEL – de mais de R$. 500.000.000,00) as populações impactadas. MINISTÉRIO PÚBLICO E PODER JIDICIÁRIO – EMBORA ACIONADOS, deixaram as áreas serem inundadas e não se manifestaram sobre minha liminar.
só que o r. INSTITUTO SERRANO NEVES ( veja matéria científica abaixo), PROVA que tanto os 02 LAGOS – quanto toda a BACIA HIDROGRÁFICA DO RIO TOCANTINS ESTÃO COMPROMETIDAS/CONTAMINADAS, de forma irreversível.
o bom da verdade é que -cedo ou tarde – ela aparece. E a mantira é submersa.
atenciosamente,
JÚLIO CAVALCANTE FORTES
ADVOGADO
FONE- 62 – 85417079
E-MAIL: juliofortes156@hotmail.com
http://minacugoias.com.br/
……………………………………………………………………………………
http://www.serrano.neves.nom.br/lsm/aguadoce/alerta_serradamesa.htm
ALERTA – S.O.S SERRA DA MESA
LINK PARA BAIXAR PARTE DO RELATÓRIO
João Carlos Kruel, Diretor de Meio Ambiente da Apego (Associação dos Pescadores Esportivos de Goiás) está fazendo a ACP de Serra da Mesa e se deparou com relatórios estarrecedores que informam que o lago está contaminado com mercúrio muitas vezes acima do permitido pela OMS. Além disso o reservatório está contaminado com algas cianofíceas em níveis insuportáveis o que compromete a saúde pública, na medida que os peixes também estão contaminados.
Kruel cita que provavelmente estamos diante de um, senão o maior, desastre ambiental já ocorrido no País e sintiu-se na obrigação de alertar os companheiros do Fish Point. Diz tambem que já tomou todas as providências cabíveis alertando o IBAMA, Agência Ambiental e o Ministério Público federal e Estadual para que acionem o Ministério da Saúde, sem que até agora as providências não tenham sido tomadas.
Segue Kruel dizendo que provavelmente entende que o lago deverá ser IMEDIATAMENTE INTERDITADO de maneira a impedir danos irreversíveis a saúde pública. Toda a cadeia biológica e alimentar está afetada e infelizmente, acredita ele, de maneira irreversível. O pior que como é um lago a montante, o parecer técnico alerta para o comprometimento de TODA A BACIA HIDROGRÁFICA DO TOCANTINS.
É com muito pesar que ele passa essa notícia e o que o revolta além da inoperância, negligência e omissão do poder público é também constatar o grande desconhecimento técnico das pessoas responsáveis pelo Meio Ambiente desse País.
Kruel fez uma ACP – Ação Civil Pública (Serra do Facão) e abriu a caixa preta do setor elétrico que vem escondendo uma realidade lamentável com relação aos danos ambientais das UHE.
Na segunda ACP para Serra da Mesa (que está preparando) se deparou com uma realidade assustadora, tamanha a negligência com que laudos com o conteúdo gravíssimo sequer são lidos pelos órgão ambientais!!!!
O texto que preparou e vai fazer parte da ACP é apresentado a seguir.
INSTITUTO SERRANO NEVES
Projeto Amigo do Lago da Serra da Mesa
http://www.serrano.neves.nom.br
serrano@serrano.neves.nom.br
Fone: 62 357 4389
Uruaçu – Goiás Brasil
Reservatório da UHE SERRA DA MESA
PROGRAMA DE MONITORAMENTO LIMNOLÓGICO E DA QUALIDADE DA ÁGUA
O relatório final do PROGRAMA DE MONITORAMENTO LIMNOLÓGICO E DA QUALIDADE DA ÁGUA do reservatório da UHE SERRA DA MESA, realizado pela empresa Multigeo na UHE Serra da Mesa com o relatório final entregue em maio de 2.004, para a Agência Goiana de Meio Ambiente, (doc.02) in Verbis:
Considerações Finais: (Doc. 02) pág. 234 em diante.
g) O mercúrio foi detectado com valores muito altos na maioria das campanhas. A ocorrência de garimpos na região, antes do enchimento e talvez atualmente, pode ser o principal foco da contaminação. Os resultados indicam a potencialidade de comprometimento de toda a cadeia alimentar.
Adiante:
A essa localização no sistema, somam-se outros fatores determinantes nas condições limnológicas da UHE Serra da Mesa, especialmente relacionadas a sua fase de enchimento, que ocorreu sem a prévia supressão da cobertura vegetal, resultando numa fonte considerável de matéria orgânica hoje em fase de estabilização.
É provável que essa cobertura vegetal seja a responsável pela instabilidade do equilíbrio observada pelos parâmetros monitorados no lago.
Adiante:
Durante a época de estiagem, o lago ainda mantém um estoque de nutrientes resultante da vegetação submersa, em fase de estabilização, responsável pelo fenômeno de floração de algas na represa.
Adiante:
Mesmo levando –se em conta o baixo índice de utilização das águas dessa bacia para abastecimento público deve-se considerar que a eventual produção de toxinas poderá atingir animais domésticos e selvagens que usam os rios para dessendentação. Além disso, observa-se na bacia do Rio Tocantins a expansão de culturas irrigadas, especialmente frutas, o que poderá gerar eventuais problemas de saúde pública à população consumidora desses produtos.
Adiante:
Essa situação torna-se mais preocupante à medida que outros reservatórios no Rio Tocantins a jusante da UHE Serra da Mesa já apresentam essas algas, e poderão atingir proporções mais elevadas num futuro próximo. Caso seja confirmada essa tendência, poderá haver uma repercussão do empreendimento desfavorável perante a comunidade científica e a sociedade civil.”
COMENTÁRIOS
Para uma adequada mensuração da gravidade da situação criada a conseqüência da não exigência do EIA RIMA que gerou a calamidade acima, a afirmação técnica de que os resultados indicam a potencialidade de comprometimento de toda a cadeia alimentar em função dos valores encontrados com mercúrio, na verdade são alarmantes, pois poderemos estar nos deparando com um dos maiores crimes ambientais ocorridos no País em todos os tempos!
Apesar de não terem sido realizados os estudos ambientais que deveriam subsidiar o licenciamento da UHE, é possível afirmar que o reservatório é estratificado e também eutrófico.
A eutrofização é decorrência da inundação de grandes massas de vegetação (fitomassa) e o conseqüente aumento da disponibilidade de nutrientes (fósforo e nitrogênio), o que resulta na proliferação exagerada de algas.
A estratificação deve-se à criação de ambientes lênticos com reduzida capacidade de renovação, devido à implantação dos reservatórios.
Com o represamento ocorre um aumento nas concentrações de fósforo e nitrogênio, transformando os sistemas de óxicos (presença de oxigênio) para anóxicos (ausência total de oxigênio), com uma produção de amônia, redução de sulfeto e formação de metano (Tundisi et al., 1991).
Os reservatórios da Região Centro Oeste apresentam temperaturas da água relativamente altas (23EC a 29EC) e um pequeno gradiente térmico (2EC a 3EC), suficiente para produzir uma estratificação relativamente estável.
Essa estratificação térmica é responsável pelos gradientes químicos verticais que se formam nos reservatórios, ocasionando, durante a estação seca, um hipolímnio anóxico e com maiores concentrações de matéria orgânica e inorgânica.
Esta situação mais crítica observada na camada de fundo, decorre, principalmente, dos processos de decomposição da matéria orgânica, oriunda da vegetação afogada.
Os principais impactos a montante estão relacionados, principalmente, à decomposição da matéria orgânica decorrente da vegetação inundada e, a jusante, às alterações do ciclo hidrológico, ocasionando inclusive modificações nas áreas inundadas (várzeas), hoje talvez afogadas pela construção da nova UHE Canabrava.
A quantidade de matéria orgânica acumulada durante e após o período de inundação, o tempo médio de residência da água no reservatório; o padrão de circulação horizontal e vertical; grandes áreas inundadas com margens dendríticas; a contribuição dos tributários e a ocupação dos solos constituem importantes fatores controladores do comportamento limnológico dos reservatórios nessa região.
Considerando-se ainda que a depleção no reservatório pode chegar a 25 m e o canal adutor é profundo, de modo que nos períodos em que o reservatório estiver no NA máximo normal, a água captada poderá ser de qualidade muito inferior, devido à maior participação das águas profundas na composição da vazão a ser turbinada.
Com relação a eutrofização, o tempo de residência é um fator importante para avaliar a tendência do reservatório, pois as algas necessitam de um determinado período de tempo para atingirem o seu desenvolvimento ideal.
No caso da UHE Serra da Mesa, os tempos de residência da água são longos, de modo que a tendência à eutrofização sempre será alta.
A forma dendrítica do reservatório, com um desenvolvimento de margens muito grande em relação à área da superfície, é outro fator preponderante na natureza trófica do lago, devido à maior produtividade nas águas rasas.
Mesmo sendo um reservatório profundo e o de maior volume de água armazenada do País, ocorreu a formação de vários bolsões rasos com alta produtividade e baixa capacidade de renovação das águas.
É provável que as condições favoráveis à eutrofização citadas poderão ser agravadas, se considerado o incremento das áreas agricultáveis de soja na bacia a montante que provocará significativo o aumento da carga de nutrientes, especialmente fósforo e nitrogênio.
Deve ser considerada ainda a provável ocorrência de afloramentos de rochas calcárias na região, o que poderá aumentar ainda mais a disponibilidade de fósforo para as algas, tendendo a perpetuar a situação existente enquanto durar a vida útil da UHE.
Com relação à presença alarmante de algas cianofíceas, em conseqüência da não supressão total da vegetação, vejamos o que a portaria 1.469 de 29/12/00 do Ministério da Saúde estabelece para procedimentos e responsabilidades relativas ao controle e vigilância da qualidade para o consumo humano (as águas do rio Tocantins se enquadram na classe II da resolução CONAMA nº 20, segundo os estudos e que podem ser cogitadas para abastecimento futuro de cidades ribeirinhas).
Portaria 1.469 de 29/12/00 do Ministério da Saúde
De acordo com essa portaria:
“São definidos como cianobactérias os microorganismos procarióticos autotróficos, também denominados como cianofíceas (algas azuis), capazes de ocorrer em qualquer manancial superficial especialmente naqueles com elevados níveis de nutrientes (nitrogênio e fósforo) podendo produzir toxinas com efeitos adversos a saúde”.
Ainda da portaria 1.469 de 29/12/00:
“XI – Cianotoxinas: toxinas produzidas por cianobactérias que apresentam efeitos adversos a saúde por ingestão oral, incluindo:
a –Microcistinas: Hepatotoxinas heptapeptídicas cíclicas produzidas por cianobactérias, com efeito potente da inibição de proteínas fosfatases dos tipos 1 e 2 A e promotoras de tumores;
b – Cilidrospermopsina: Alcalóide guanídico cíclico produzido por cianobactérias, inibidor de síntese protéica, predominantemente hepatotóxico, apresentando também efeitos citotóxicos nos rins, baço, coração e outros órgãos; e
c – Saxitoxinas: Grupo de alcalóides carbamatos neurotóxicos produzido por cianobactérias, não sulfatados (saxitoxinas) ou sulfatados (goniautoxinas e C-toxinas e derivados decarbamil), apresentando efeitos de inibição da condução nervosa por bloqueios dos canais de sódio.
AGUA NO SECULO XXI – Enfrentando a Escassez – Prof. José Galízia Tundisi
Ainda com o assunto, vejamos qual a opinião de um dos maiores especialistas do País, o Prof. José Galízia Tundisi que em seu recente livro ÁGUA NO SECULO XXI – Enfrentando a Escassez editado em 2.003, no capítulo 5.º Eutrofização e Suas Conseqüências, diz na pág.69 :
“À medida que o fósforo é descarregado em lagos e rios, a partir de fontes pontuais e não pontuais (por exemplo, esgotos domésticos não tratados e resíduos de nutrientes agrícolas) o requerimento das plantas são satisfeitos, o crescimento aumenta e o outro elemento mais comumente requerido, o nitrogênio, torna-se limitante. Várias fontes pontuais de nitrogênio estão disponíveis para as plantas, tais como amônio (NH 4) e nitrato (NO 3).
Certas cianobactérias podem fixar nitrogênio gasoso (N2) que se dissolve na água, a partir da atmosfera, quando outras fontes de nitrogênio estão disponíveis, mas em quantidades muito pequenas.
Com o suprimento suficiente de fósforo para acelerar o crescimento e a capacidade de fixar o N2 (o que lhes fornece vantagem competitiva sobre outras algas ou plantas superiores), as cianobactérias crescem rapidamente, formando extensas populações que se desenvolvem próximas à superfície e aproveitam o máximo de radiação solar possível. As cianobactérias tem mecanismos de ajuste à profundidade para maximizar o uso de radiação solar.
As densas populações que cobrem as superfícies de lagos, represas e rios, decompõem-se e liberam matéria orgânica, além de substâncias tóxicas. À medida que essas populações de algas perdem a capacidade de flutuação por morte, depositam-se no fundo de lagos e represas, e sua decomposição utiliza o oxigênio dissolvido na água, produzindo variadas concentrações de oxigênio dissolvido na água e em muitas vezes, completa anoxia, causando mortalidade de outros organismos aquáticos, especialmente peixes.
Em muitos casos, há mortalidade em massa de peixes associada à ausência de oxigênio dissolvido produzida pelo excesso de florescimento de cianobactérias e aumento de matéria orgânica em decomposição.”
Além do acima exposto ainda podemos citar como conseqüência da eutrofização:
· Liberação de gases com odor e muitas vezes tóxicos (H2S e CH4)
· Florescimento de algas e crescimento descontrolado de plantas aquáticas, especialmente macrófitas.
· Produção de toxinas por algas
· Altas concentrações de matéria orgânica, as quais, se tratadas com cloro, podem produzir substâncias carcinogênicas.
· Acentuada queda na biodiversidade e no número de plantas e animais.
· Alteração na composição das espécies de peixes no reservatório e perda do valor comercial ou inapropriação para o consumo devido à contaminação.
· Significativa diminuição do da concentração de oxigênio dissolvido, especialmente nas camadas mais profundas dos reservatórios de regiões temperadas, durante o outono.
· Diminuição do estoque pesqueiro causados pela deplessão de oxigênio dissolvido na água nas regiões mais profundas dos lagos.
· Graves efeitos na saúde humana (crônicos e agudos) (Azevedo 2.001).
Texto elaborado pelo Engº Agrº João Carlos Kruel – Dir. Meio Ambiente da APEGO
Publicado originalmente em http://www.fishpoint.com.br/novo/abertura.htm
Publicado também na Revista Pesca & Companhia, outubro, pág. 11
ISN – Reg. nº 580935 do 2º Tab. Prot. e Reg. de Pessoas Jurídicas, Tit. e Docs. de Goiânia – CNPJ: 05508400/0001-26 – Sede: Av. Santana com Rua 200, Qd. 12 Lt 6, Centro – URUAÇU-GO – 76400-000 – Tel 62 3574389 – 96255275 – http://www.serrano.neves.nom.br – serrano@serrano.neves.nom.br